sábado, 16 de maio de 2015

Hitórias dentro de histórias: Apenas mais um romance que começou no senatório




O conto a seguir foi feito a partir do conto: O criador de Mundos de .. 
retratando um artista surrealista incompreendido que está internado no senatório . Eu resolvi fazer uma história dentro dessa história em homenagem a uma pessoa especial que a partir de hoje resolveu ser apenas ele. Espero que gostem! 





Chloe Matinez estava no inicio de sua vida profissional havia conseguido uma bolsa de estudos em uma renomada academia de artes e conseguindo um estágio como escritora em uma pequena revista sobre comportamentos psicológicos, não tinha muito a ver com que estudava, mas o suficiente para manter o seu vicio por esculturas de vidro.

Em uma terça qualquer de Junho teve que comparecer para uma visita em uma famosa clinicapsiquiátrica. Precisava de material para sua coluna. Ao entrar foi recepcionada pela enfermeira que logo passou as instruções. Como ficaria ali por mais de uma hora teria que deixar para trás seus adornos chamativos assim seu casaco de pele falsa com estampa de oncinha e seus anéis mirabolantes que havia feito em casa.  Vestiu um jaleco branco e um passe visitas foi pendurado em seu pescoço.  A regra máxima. Não podia de forma alguma falar com nenhum paciente diretamente.
 Andava pelos corredores da instituição acompanhada de um enfermeiro que era de certo modo atraente, pouco se via atrás daquele uniforme, mas o suficiente para saber que ele não era um atleta. Alto e magro com os cabelos negros.

 Seus olhos corriam pelas paredes brancas e as portas de aço com pequenas aberturas que serviam de janela para dentro daquela realidade alternativa em que aquelas os pacientes viviam.  Foi até o fim do corredor e na ultima porta algo lhe despertou o interesse se tratava de um paciente usando Boina parisiense azul, uma camisa social branca por baixo de um blazer marinho e uma calça social preta, completamente diferente dos outros que vestiam cores mais neutras.

- Quem é aquele?- perguntou Chloe ao enfermeiro, com os olhos brilhando.
- Edgar Verttis. É o ´´ artista incompreendido´´ - Disse o enfermeiro como se curtisse uma piada particular. – Uma parte de mim e do meu trabalho - brincou- Bom, vamos andando que está quase na hora de você ir embora.

Chloe deu uma ultima olhada pela abertura. Tentando entender a situação lá dentro. Edgar estava de frente para um cavalete como se tivesse analisando e conversava com as paredes, mas em seguida corria para trás do cavalete e conversava mais. Ela entendeu. Ele estava interagindo consigo mesmo. Chloe não conseguiu evitar sorrir. Ela queria saber mais. No caminho de volta encheu o enfermeiro de perguntas, mas não estava satisfeita com as respostas. Seu interesse fez o coração bater mais rápido o que não era bom sinal. 

Em seu apartamento.Chloe fumava o terceiro cigarro. Olhava para a tela de seu notebook. A matéria estava incompleta. Ela não conseguia. Não conseguia parar de pensar em Edgar,aquele rapaz de cabelos lisos e pele morena. Sua expressão enquanto conversa consigo mesmo. Ela precisava vê-lo novamente. Estava obcecada. Logo... apaixonada, mais uma vez.

Na terça feira seguinte Chloe estava na recepção com a cara fechada. Fora impedida de entrar. Implorou e implorou até que conseguiu. Na companhia de Brady, enfermeiro, foi andando o mais rápido que pôde até chegar à ultima sala. Vazia. O enfermeiro que acompanhou o ritmo explicou que o paciente havia tido um transtorno explosivo intermitente e amarrado na camisa de força.

Semanas se passaram e Chloe só pensava nele, As terças ia até a clinica para ver se haviam noticias, mas nada.  Brady percebeu que ela não desistira fácil, por isso pediu o número de telefone disse que avisaria assim que houvesse noticias. Foi numa quinta que ela recebeu a noticia de que Edgar havia melhorado. Naquela manhã se arrumou rapidamente e foi ao metro com o sorriso no rosto. Entrou na clinica. Cindy a enfermeira já apontou para o jaleco branco. Brady a fitava com um sorriso como se ela tivesse perdido o juízo o que de certo modo era verdade.

Brady a conduziu para o pátio. Lá estava ele sentado no banco usando sua boina azul. Chloe sentiu um frio no estomago era exatamente como se lembrava. Parecia calmo. Ela olhou para Brady com um olhar que suplicava para poder ir falar com ele. Brady bufou resmungou algo sobre ela ser louca. Retirou o passe de visitante e colocou um de enfermeira. Entregou lhe um cavalete e um carvão vegetal e passou instruções detalhadas. Ela teria que ser cautelosa se não ele perderia o emprego.

Chloe respirou fundo e foi. Um passo de cada vez seu coração bateu mais rápido quando ele a olhou. Só percebeu que prendia a respiração quando soltou.
- Bom dia Edgar- ela sorriu – Como está?
- Melhor. – Ele respondeu.
- Que ótimo, Eu lhe trouxe isso. - Ela abriu o cavalete e posicionou na frente dele. Recostou a tela no pé do cavalete e estendeu o carvão vegetal que restava em suas mãos – Tome isso lhe fará bem.

- Você conhece meu amigo? – Indagou Edgar. Chloe foi pega desprevenida não fazia ideia de a quem ele se referia. Voltou a mão para perto do corpo – Amigo? Que Amigo?
- O senhor Bispo do Rosário. Ei!- ele se inclinou para frente, surpreso- Volte aqui! Droga! Ele é meio tresloucado sabe? Vive por aí coberto por aquela manta que ele mesmo fez enquanto estava aqui internado. Qual era a sala dele?- indagou de cenho franzido. Chloe não sabia o que fazer. Por um breve momento sentiu medo. Pensou em olhar para Brady em busca de resposta, mas percebeu que ele precisava de uma resposta rápida.

- Bem... Eu não sei...- Ela estava sendo sincera.
- Mas...- Edgar abaixou a cabeça e o seu tom de voz se entristeceu – O meu outro amigo desapareceu. Você não o viu por aí? Salvador Dali. Era meu mentor. Agora... Agora ele não aparece mais para me ver – Naquele momento Chloe sentiu uma enorme compaixão. Gostaria de dizer que havia visto o Dali e que tudo ficaria bem, em vez disso apenas estendeu o carvão vegetal novamente e disse:
- Tome Edgar. Por que você não pinta os seus outros amigos? – Ela apontou para os demais pacientes que caminhavam pelo gramado.  Edgar se levantou tranquilamente e pegou o carvão delicadamente.  Posicionou a tela no cavalete e deixou sua imaginação fluir. Chloe estava impressionada com o que via. Logo se viu rodeada de outros pacientes que tentavam ver a obra de arte.

- Como se chama isso? – Chloe perguntou em meio a tantos loucos.
- Surrealismo. Isso definitivamente se chama... Surrealismo- Edgar respondeu. Chloe mentalmente concordou e naquele momento em meio a tanta loucura se viu sã. Ela percebeu que ela essa seria a vida dela. Presa num sanatório com um artista vivendo em seu mundo. Ela não estava pronta para isso. Se afastou passou por Brady e lhe entregou o passe de enfermeira depois saiu correndo. Fugindo do sanatório.

Já era fim de tarde. Ela estava sentada na escadaria do metrô. Com a mãos na cabeça. Lagrimas escorriam de seus olhos.  Ela escutou passos e alguém sentando ao seu lado. Ela olhou e ali estava Brady.A observando. Ela não havia reparado que ele usava óculos ele. Chloe percebeu que não sabia muito sobre o cara lhe acompanhou nesses últimos meses

- Oi – surrou ele- O que houve?
- Nada... eu apenas... nada esquece -  Chloe abaixou  o olhar. Sentiu um nó na sua garganta.
- Você não o conhecia Chloe. Você só o viu duas vezes!
- Eu sei... Sou incorrigível quando se trata de amor. Acabo gostando das pessoas erradas.
- Sabe? Eu sou um cara legal. – Brady começou – Sou um pouco louco. Artista. Posso ser tudo aquilo que você quiser.Me dê uma chance.
- E quem é você? A única coisa que sei sobre você é seu nome – Uma pergunta martelava em sua cabeça ´´ e se ele fosse mesmo um cara legal?´´.
- Bom sobre isso...- Brady respirou fundo como se medisse cada palavra
- Você mentiu seu nome? – Chloe se endireitou o olhou com a sobrancelha arqueada.

- Não. Tudo bem... Talvez tenha ocultado... Meu nome de verdade é Bradgério. Longa história...- Evidentemente Brady corou. Abaixou a cabeça. Naquele momento parecia vulnerável. Alguém amável– É sério. Quero que você me conheça. Tenho te observado desde o primeiro dia e sinto me atraído. Sinto que... Quero estar com você. Vamos deixar de lado toda essa história com o Edgar e recomeçar – Foi a vez de Chloe corar. Por um instante ela imaginou um futuro ao lado dele. Andando pelas ruas de Nova York e gostou.
- Tudo bem... vamos tentar... Gério.- Chloe não conseguiu evitar sorrir.
- Pode parar. Nem pensar que você vai me chamar assim!  - Brady franziu o cenho.  Ela foi a primeira a rir intensamente depois ele. No final ambos seguravam a barriga de tanto gargalhar. 






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