sexta-feira, 27 de junho de 2014

Conto: A origem das Sereias

O que estou prestes a contar pode parecer a coisa mais louca que você já leu, ou não. O fato é que muitos acreditam na lenda da sereia, o ser metade mulher metade peixe, ela existe, não nego, eu a vi, entretanto ela não era assim. Eu não sei de onde as pessoas tiraram essa descrição... Bem, na verdade eu sei.
                Tudo começou por volta do século XV, em um pequeno povoado beira mar, cercado por um emaranhado de plantas silvestres com uma vasta diversidade de flores e frutos venenosos, viviam ali pessoas bem pobres, viviam da pesca e de suas próprias plantações, ninguém comia nada que os bosques ofereciam.
                Ali vivia a jovem Katreena, a mais formosa do povoado, era doce e gentil com todos. Na vila as tarefas eram divididas, a dela era buscar água de um lago que ficava dentro do bosque, não era longe muito menos perigoso, não haviam muitos animais e os que ali habitavam era coelhos inofensivos que ninguém se atrevia a matar. Em uma de suas viagens Katreena foi surpreendida por um rapaz, um forasteiro, ele tampou sua boca antes que pudesse gritar, um frio percorreu por todo o  corpo da moça, ele a levou para perto de um pequeno barco de madeira ancorado na margem do lago gélido.
              Jogou Katreena no chão, ergueu seu vestido rosa pálido que dava vida aos longos cabelos cor de fogo agora espalhado pelo chão, cheios de  lama. Estava apavorada, tentava gritar e não conseguia, acabou perdendo as forças. Foi rápido, antes de se dar conta ela estava morta. Ele havia tampado o nariz e a boca por tempo suficiente para a vida deixar o corpo da jovem moça. Após terminar jogou Katreena no lago, não tardou e um peixe, um enorme peixe a abocanhou seus pés e tentou engoli-la, engasgando na metade do corpo.
Eu não sei de onde o  rapaz veio, mas sei que nunca mais voltou, afinal de contas, enquanto o peixe nadava tentando devolver o cadáver ao lago, o rapaz subiu no barco com toda pressa possível, e começou a remar, mas nada aconteceu. Lembrou se de desancorar o pequeno barco e finalmente saiu do lugar. Aquele lago quase parado começou a se movimentar de maneira assustadora, criando ondas negras e fortes fazendo com que o barco girasse em um redemoinho e logo virasse. O jovem se debatia sem saber nadar, as ondas viraram mãos, mãos gélidas que envolveram aquele corpo masculino e o arrastaram para as profundezas.
O corpo voltou à superfície, mas estava tão branco quanto a neve. Ele estava com tons arroxeados nos olhos e um vermelho vivido jorrando do peito. Foi nesse momento que o irmão mais velho de Katreena, Will veio ver o motivo da demora da irmã, estava sorrindo e gritando o nome dela ao vento, mas se limitou a berrar quando viu aquele homem flutuando no lago, seus olhos correram mais longe tentando encontrar que animal fizera aquilo, tudo que teve foi um vislumbre de uma criatura metade peixe metade mulher com cabelos vermelhos, nadando para longe seguindo uma extensão do lago que levava a um abismo. Nunca suspeitou que fosse sua irmã.
Ao cair da noite eles queimaram o corpo do rapaz, era a tradição, mesmo não o conhecendo. Katreena foi dada como morta pela ´´sereia´´. O que era apenas uma história de pescador, no momento era tão real quanto doloroso para aquela vila. A descrição se espalhou, pescadores que antes contavam que nunca viram as formas que os atacava, agora  descreviam a mulher com cauda de peixe.

Eu estava lá, eu a vi, como todos os outros coelhos. A verdadeira Sereia vive em meio a água, tornando a traiçoeira. Ela é a própria água, vagando por ai se vingando dos homens que se fazem de inocente e abusam de jovens inofensivas, como todos aqueles pescadores antes fizeram.  Pode parecer insano, mas é a verdade! Eu juro! Mas você acreditaria em uma história de um coelho falante?

Everton Marques Barbosa

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